
Em todos os pormenores se verifica um cuidado extremo um ambiente carregado de misticismo e simbologia. Dos jardins que envolvem a casa, às capelas, passando pelo poço e pelo anfiteatro nada foi deixado ao acaso.
Na última década a Câmara de Sintra comprou a Quinta e recuperou-a com o todo o esmero e cuidado que merecia, hoje é possível visita-lo todos os dias, existem visitas guiadas e no fim do percurso há um restaurante onde também se pode apenas tomar um chá, ou mais aprazível nesta época, comer um gelado! A Quinta é ainda palco de variadas animações… Mas já lá chegaremos.
Mas este preâmbulo serve apenas para aguçar a curiosidade de quem nunca tenha visitado este espaço, para quem já conhece, desde já podemos afirmar que a noite com o seu luar traz uma magia especial e uma áurea propícia a que aí se desenrolem, como é o caso, tramas – foi assim no último Sábado, assim se repetirá nas semanas que aí vêm.

Ora pois passemos ao dito – Hamlet – Príncipe da Dinamarca. Levado à cena por um grupo local: TapaFuros que assim comemoram 10 anos de teatro de rua.
Composto por um elenco de actores jovens e de grande vivacidade, em duas horas e pouco, num percurso interessante e numa viagem no tempo até

à corte Dinamarquesa a enterrar o pai de Hamlet, entre um cafezinho e um cigarro, ouvindo, já embrenhados na história o relato das

aparições de um fantasma

entre o tom coloquial dos sentinelas do castelo.
As revelações famosas deste ser para além da vida passar-se-ão a seguir…

Entre paragens e andanças lá vamos caminhando, entre loops em socalcos e recantos privilegiados dos jardins – um Beijo a Ofélia, uma trica da corte até nos depararmos, frente um relvado magnífico, com o primeiro mau presságio, a partida do irmão da donzela e um aviso de seu pai.

Daqui ao espaço do anfiteatro, palco único para desfrutar das cenas que antecedem o desenlace final são apenas uns quantos passos de deleite visual.

Para terminar um jogo de xadrez em caixinhas surte uma opção de cenografia feliz, essencialmente se comparada com a política do poder, tão actual ontem como hoje.
De elogiar o esforço vocal dos actores, o texto passa, sem que se perca pitada, o conjunto convence apesar de algumas opções de encenação menos claras, a verdade é que agarra o público injectando a cada deixa ritmo ao espectáculo.

Uma referência ao desenho de luzes que bem evidencia a arquitectura e a beleza natural e introduz um jogo de sombras na fantasmagoria dos sentimentos.
A banda sonora revelava-se eficaz num espaço em que corria o risco de se perder, temos a música como elemento suplementar de uma paisagem esplêndida desta maneira musicada.

Os figurinos arrojados, sem no entanto perderem elegância, neste ponto realçamos os pormenores…
Por momentos apetecia perdermo-nos Quinta fora e reinventar um luar mágico…
Parabéns a todos os que tornaram este espectáculo possível,

um agradecimento muito especial a quem se lembrou de deixar mantas nas cadeiras do anfiteatro, já que tão úteis se revelam.
A terminar apenas uma última remissão ao texto: TapaFuros, tal como a flauta, colocados o dedos em cima dos buracos certos – produzem a melodia mais harmónica: em duas palavras: Dão-nos música!
Vão ver… mas marquem primeiro pois tem estado sempre esgotado!
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