
27.6.07
21.6.07
COMÉDIA EM 3 ACTOS
Novo espectáculo do Teatro da Garagem, em cena no Teatro Taborda.
Um espectáculo dividido por três espaços diferentes, três impressões do relacionamento entre casais, os mecanismos de atracão e repulsão, entre homem e mulheres, a partilha de cumplicidades, os mundos de sentimentos inexpressivos, as personagens estilizadas que são ultrapassadas pelo desempenho dos actores.
É um pouco de tudo isto e muito mais que se representa neste peça.

Num jardim público um obsessivo-compulsivo – Miguel Mendes – discorre sobre a sua elevada consciência moral e outras obscenidades

enquanto admira a Boazinha – Teresa Arriaga – dois seres bem diferentes num esforço um tanto infrutífero para se relacionarem.

Quase desajeitadamente, duas solidões que se chocam e se encontram.

A tia do Liechtenstein – David Antunes – mulher só cómica ridícula que elogia petiscos e deambula pelo espaço de cena em patins e traje (quase) tirolês carrega de nonsense
este quadro com pormenores de cenografia cuidados e efeitos visuais interessantes.

A segunda história – a da Madalena Furacão (Carla Bolito) – retrata as ambivalências dos relacionamentos, o domínio do instinto sobre a racionalidade.

Madalena, a mulher fetiche e o materialista da treta (Fernando Nobre) ultrapassam, na interpretação das personagens que os actores delas fazem, largamente o cliché.

Afinal, todos no revemos em alguma especificidade do quadro, o sonho e a realidade cruzam-se, as discussões que estabelecem chegam a roçar o grotesco, apimentadas pelo fotografo, repórter da vida da mulher espectáculo e de um carácter que a leva ao abismo.

A força irreprimível das sensações, vivências de passados fotografados, o imediatismo do presente, do cómico ao trágico numa fronteira esbatida.

Finalmente, o terceiro quadro, estórias do teatro de rua, Ana Palma e Fernando Gomes, o casal performer

que retira da cartola todos os artifícios para entreter o público. Conquistam-nos pelo poético, pela linguagem a que recorrem na comunicação com o público,

o que nos torna cúmplices de uma nostalgia que descrevem.
A fragilidade do belo evidencia-se nesta cena de elegante representação.
A última comédia, a proximidade do fim, o engenho do deslumbre e a comoção do virtuosismo.

Um espectáculo que sublinha contradições de todos os relacionamentos, que assume o trágico-cómico quotidiano, mas que brilha também pelo recurso a figurinos curiosos, arriscados, por soluções de cenografia geniais, a cargo de Sérgio Loureiro.
Uma última palavra para referir a sonoplastia, do Daniel Cervantes, que acompanha todo o espectáculo sem destoar, a anteceder peripécias e a colorir momentos mais cinzentos.
No Teatro Taborda, às Costa do Castelo, de Quarta a Domingo, até 1de Julho, sempre às 21h30.
Apareçam por lá, que vale a pena!
Um espectáculo dividido por três espaços diferentes, três impressões do relacionamento entre casais, os mecanismos de atracão e repulsão, entre homem e mulheres, a partilha de cumplicidades, os mundos de sentimentos inexpressivos, as personagens estilizadas que são ultrapassadas pelo desempenho dos actores.
É um pouco de tudo isto e muito mais que se representa neste peça.

Num jardim público um obsessivo-compulsivo – Miguel Mendes – discorre sobre a sua elevada consciência moral e outras obscenidades

enquanto admira a Boazinha – Teresa Arriaga – dois seres bem diferentes num esforço um tanto infrutífero para se relacionarem.

Quase desajeitadamente, duas solidões que se chocam e se encontram.

A tia do Liechtenstein – David Antunes – mulher só cómica ridícula que elogia petiscos e deambula pelo espaço de cena em patins e traje (quase) tirolês carrega de nonsense
este quadro com pormenores de cenografia cuidados e efeitos visuais interessantes.

A segunda história – a da Madalena Furacão (Carla Bolito) – retrata as ambivalências dos relacionamentos, o domínio do instinto sobre a racionalidade.

Madalena, a mulher fetiche e o materialista da treta (Fernando Nobre) ultrapassam, na interpretação das personagens que os actores delas fazem, largamente o cliché.

Afinal, todos no revemos em alguma especificidade do quadro, o sonho e a realidade cruzam-se, as discussões que estabelecem chegam a roçar o grotesco, apimentadas pelo fotografo, repórter da vida da mulher espectáculo e de um carácter que a leva ao abismo.

A força irreprimível das sensações, vivências de passados fotografados, o imediatismo do presente, do cómico ao trágico numa fronteira esbatida.

Finalmente, o terceiro quadro, estórias do teatro de rua, Ana Palma e Fernando Gomes, o casal performer

que retira da cartola todos os artifícios para entreter o público. Conquistam-nos pelo poético, pela linguagem a que recorrem na comunicação com o público,

o que nos torna cúmplices de uma nostalgia que descrevem.
A fragilidade do belo evidencia-se nesta cena de elegante representação.
A última comédia, a proximidade do fim, o engenho do deslumbre e a comoção do virtuosismo.

Um espectáculo que sublinha contradições de todos os relacionamentos, que assume o trágico-cómico quotidiano, mas que brilha também pelo recurso a figurinos curiosos, arriscados, por soluções de cenografia geniais, a cargo de Sérgio Loureiro.
Uma última palavra para referir a sonoplastia, do Daniel Cervantes, que acompanha todo o espectáculo sem destoar, a anteceder peripécias e a colorir momentos mais cinzentos.
No Teatro Taborda, às Costa do Castelo, de Quarta a Domingo, até 1de Julho, sempre às 21h30.
Apareçam por lá, que vale a pena!
19.6.07
MANIFESTO
“DITIRAMBUS”, Associação Cultural e de Pesquisa Teatral foi recebida pelo TEATRO IBÈRICO e apresenta, até 30 de Junho, a peça MANIFESTO com texto original da autoria de Ângela Almeida, uma poeta Insular que nos fala da alma do mundo através dos diálogos de quatro mulheres-continentes.

A peça é um manifesto sobre os direitos humanos, o seu incumprimento e os sentimentos de milhares de pessoas,

nascidas em África,

na Ásia,

na Europa

e na América,

(Cátia Correia) que sofrem de maneiras tão diferentes com o estado das coisas: uma mistura de sentimentos complexos

(Céu Neves) e por vezes contraditórios que se concentram numa alma – a da mulher apátrida,

(Manuela Gomes) errante que sonha céus mais azuis,

(Lurdes Castanheira) sorri da beleza deste mundo e chora as violações à sua dignidade de pessoa humana.
Salientamos neste espectáculo a beleza poética do texto, assim como o trabalho de sonoplastia.
Até 30JUN, às 21h30, de Quarta a Domingo, 45min.
Um espectáculo interessante do ponto de vista estético, que nos traz uma visão muito particular dos direitos humanos, pela vivência que imprimida nas circunstâncias relatadas e uma vez mais, pela envolvência tão especial do Teatro Ibérico, espaço de espectáculo único nesta Lisboa.
A peça é um manifesto sobre os direitos humanos, o seu incumprimento e os sentimentos de milhares de pessoas,
nascidas em África,
na Ásia,
na Europa
e na América,
(Cátia Correia) que sofrem de maneiras tão diferentes com o estado das coisas: uma mistura de sentimentos complexos
(Céu Neves) e por vezes contraditórios que se concentram numa alma – a da mulher apátrida,
(Manuela Gomes) errante que sonha céus mais azuis,
(Lurdes Castanheira) sorri da beleza deste mundo e chora as violações à sua dignidade de pessoa humana.
Salientamos neste espectáculo a beleza poética do texto, assim como o trabalho de sonoplastia.
Até 30JUN, às 21h30, de Quarta a Domingo, 45min.
Um espectáculo interessante do ponto de vista estético, que nos traz uma visão muito particular dos direitos humanos, pela vivência que imprimida nas circunstâncias relatadas e uma vez mais, pela envolvência tão especial do Teatro Ibérico, espaço de espectáculo único nesta Lisboa.
10.6.07
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