5.10.06

NA BOCA da NOITE

A peça que hoje apresentamos pretende-se continuação de uma outra que vimos há uns tempos atrás no Teatro Ibérico e que girava em torno do tema da pedofilia.


Escritas pelo mesmo autor, Onivaldo Dutra enquanto “A Boca da Noite Roubou o Meu Cow-Boy”deixou saudades e esta soube-nos a pouco…


Nesta peça propõe-se o debate, para além do problema da pedofilia já recorrente, sobre temas relacionados com adolescências amargas e disfuncionalidades de crescimento,
seja a prostituição,



o uso do preservativo, a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis




ou a droga e a questão da Sida;







Auspicia um espectáculo pesado mas profundo acrescentando ao tema dos abusos sexuais de menores outros assuntos controversos e discutíveis.




No entanto, do nosso ponto de vista, a promessa não é cumprida e em detrimento de uma análise profunda das matérias que entrecruzadas poderiam ilustrar uma contenda interessante, acaba resuma numa miscelândia de cenas pouco interligadas em que os assuntos são abordados que “au passand” e de forma um tanto ou quanto leviana.



A representação cumpre num elenco de jovens promissores em que não houve lugar a brilhantismos pelo texto fraco o que tentaram, e em certos momentos conseguiram, dar vida.





Trata-se de uma peça curta, tem à volta de 50 minutos tempo em si curto para uma abordagem mais profunda das questões levantadas.

Gostámos especialmente do vídeo que acompanha a peça e ganha contornos de personagem da autoria de Marco Mascarenhas.

Estará em palco até ao dia 14 de Outubro, de quarta a sábado às 21h30m, no Auditório Carlos Paredes, na Junta e Freguesia de Benfica.

Bilhetes: €10,00 (normal) - €5,00 (estudante)

Na compra de dois bilhetes um é grátis.

Tel. 218128528 / Fax. 218124569 / Tm. 919097077

4.10.06

MUSEU do TRICICLO


O museu, é itinerante e está actualmente na Praça do Comércio, e estará futuramente em diversos locais da cidade.





Veículo utilizado como TAXI na Índia.




Triciclo de transporte de crianças para a escola, vendo-se a capota reversível.



Viatura de transporte de carga que pode transportar até uma tonelada é conhecido como “goods vehicle


Meen Baadi Vundi” inicialmente era usado para transportar peixe (Meen) para o mercado. Veículo é “Vundi”, por isso podemos traduzir por Carro do Peixe , actualmente é usado para o transporte de diversos materiais volumosos.



Triciclo de transporte de carregamento dianteiro usado no sul a Índia para o transporte de tanques de água e de gás.

26.9.06

QUEM NÃO TRABUCA, NÃO MANDUCA!

Chegados de uma longa tournée, que correu vários continentes e oceanos, o grande, o inigualável duo, de artistas portugueses que foram aclamados nas principais capitais, Armando (Pedro Luzindro) e Valentina (Ana Sofia Paiva).


Estes dois grandes vultos do nosso panorama artístico que viajam apenas com um pequeno cenário ao melhor estilo do cabaret do início do séc. XX.

Eles vêm-nos contar histórias escritas por Luísa Ducla Soares, baseadas na célebre fábula de La Fontaine, a Cigarra e a Formiga.

P.S-Peço desculpa aos visados Valentim (Pedro Luzindro) e Armanda (Ana Sofia Paiva).

24.9.06

DANÇA em JAPONÊS

Na última semana o Taborda acolheu uma Companhia de Dança Japonesa.
Foram apresentados dois espectáculos diferentes, infelizmente, não foi possível fazer a reportagem fotográfica que desejávamos, dado que o produtor Bruno Coelho insiste na impossibilidade de fotografar os eventos que decorrem naquele bonito teatro.


Assim, o que aqui apresentamos foram as fotografias possíveis, retratos à revelia do produtor, na opacidade do espectáculo, ao que parece, ninguém se incomodou com a nossa presença, ou melhor, com a presença da nossa Nikon.



Mas vamos ao que interessa:

Um espectáculo em duas cenas bem diversas entre si. Espaços diferentes, cenários distintos, movimentos dispares.

Um casal. A proximidade e o distanciamento. Uma mesa que os une e os separa. Espelho da vida. O recuo, o melhor ângulo – a investida!

Movimentos bruscos e por vezes quase acrobáticos, o dia-a-dia da existência humana no frenético mundo urbano. A busca da ocidentalidade, o traje, a expressão – vazia, despida de sentimento e tão cheia do nada revoltante.

O perfeito entendimento entre os bailarinos, uma sincronia ao som da água: será um regato? Uns chuviscos? Um aguaceiro de dança contemporânea muito bem executada na coreografia deste par.


A terminar com “uma carga de água” que chega para confundir o som das palmas que bem mereceram.

Outro casal. Um cenário de campo. Uma construção magnifica que os separa do público. A ruralidade em palco.
Como intrusos lá vamos espreitando o que se passa do outro lado da vida. Um homem, uma mulher.


O amor que deles transpira, a paixão feita dança. O elogio dos corpos enquanto espelho de uma alma apaixonadamente ardente.

A pureza dos sentimentos. A busca de um amor que liberta. Dois solos que nos mostram a qualidade dos bailarinos que os executaram.

O vibrar de várias músicas que vão marcando os compassos e perpassam tempos e continentes. A cumplicidade entre passos de dança, o ritmado da acção que se vai desenrolando sem vocábulos e, a apoteose com Amália que os japoneses tão bem souberam amar. Também o fado que estes convidados simpaticamente escolheram para terminar!

Numa palavra: Parabéns!

Para a próxima, vamos tentar infiltrar-nos de outra forma, e, talvez com uma cunha* consigamos o que outros conseguiram: ir para a galeria e retratar pormenorizadamente espectáculos de tão boa qualidade!

*Assim pedimos aos leitores que, se conhecerem alguém da Garagem, façam um forcing a favor da fotografia nos espectáculos, ainda que apenas e tão só, para uso particular.

14.9.06

NOTHING HURTS

A peça de hoje é uma co-produção de Arquibaldo com o Teatro da Garagem e estará em cena até ao próximo Domingo dia 17. Os espectáculos começam às 21h 30m.


Foi escrita por Falk Richter autor que integra uma nova geração da escrita teatral pós queda do muro de Berlim e que por isso nos apresenta textos com uma alma marcadamente actual.
Em 2001 ganhou o 1º prémio da Academia Alemã das Artes e na peça em cena no Teatro Taborda revela-nos o corpo enquanto espelho das marcas da alma, num relacionamento amor-ódio em que tudo o que as rodeia se resume a paisagem impulsionadora de mais uma fricção.



Numa espécie de “não quero viver contigo mas não posso viver sem ti”, uma realizadora que havia acabado um filme baseado nas suas memórias e vivências pessoais












é convidada para dar uma entrevista sobre a sua última obra.









No primeiro encontro a jornalista e realizadora apaixonam-se e a partir desse momento tudo se desenrola em ritmo acelerado num chorrilho de emoções, traumas passados, modos de vida coerentes na sua incoerência.



Entre copos e dois dedos de conversa rapidamente se cria um conflito entre as amantes numa guerra surda em que corpo é o principal campo de batalha, porque visível.




Entram em choque as duas, ambas no caminho incessante da busca da sua verdadeira identidade, através de emoções gritantes, marcas e silêncios partilhados.





Vivendo num mundo em que o real e o virtual se entrechocam a todo o tempo









para no instante seguinte largarem juras de amor, entre o que é puramente subjectivo e a objectividade dos factos inegáveis.











Para compor o ramalhete só falta referir outras duas personagens: um DJ e um barman que tal como cenário com vida ajudam a recriar e a ilustrar o absurdo dos comportamentos humanos toldados pelas circunstâncias.

Durante a representação o encenador faz uma breve paragem para oferecer a alguns espectadores uma bebida, o que nos parecia correcto era ou oferecia a todos ou a nenhum.




Não podemos terminar este apontamento, sem um grande “bravo” às actrizes Luísa Amorim e







Teresa Tavares











e ao trabalho de vídeo e de desenho de luz.










Quanto aos actores Alexandre Ovídeo e Carlos Monteiro limitaram-se a cumprir interpretação um tanto ou quanto económica.







A produção é de Catarina Ferreira e só tem o senão, já referido, das bebidas pois para além disso tudo funcionou em pleno.

A não perder num destes dias de Setembro!!!