17.9.07

Hamlet no teatro Maria Matos, pela Comuna.



No âmbito das comemorações dos 35 anos do teatro de Pesquisa a Comuna e dos 50 anos de carreira de João Mota, estreou na 5ª feira passada a peça “Hamlet”.


Peça de Shakespeare que dispensa quaisquer apresentações, aqui na tradução de Sophia Mello Breyner.





Resta-nos sublinhar as particularidades deste Hamlet, personagem interpretada por Diogo Infante, fio condutor de toda a acção, até em função do texto (não representado e versão integral, provavelmente devido à sua extensão).

Todo o elenco releva a qualidade de representação e encenação a que estamos habituados quando é da Comuna que se fala, as marcações, a estética, a força inerente à acção, tudo respira teatro!



A emoção, a contradição de sentimentos, a tragédia, o desengano magistralmente interpretados por Carlos Paulo, Ana Lúcia Palminha, Albano Jerónimo, Natália Luísa e João Tempera:







A evolução das personagens a que tão bem dão vida convida-nos à partilha de emoções e questiona-nos ritmadamente.
Outros papeis menos preponderantes auxiliam esta percepção completa de conflito interior e de expressão de um tempo e espaço concentrado onde tudo se pode passar:




Seja na peripécia introduzida pelos comediantes, ou através das deambulações do coveiro, nada é deixado ao acaso neste Shakespeare irrepreensível.


A Não Perder:

Teatro Maria Matos
4ª a Sáb. às 21h30,
Domingo matiné.

12.9.07

HAMLET




13 de Setembro a 21 de Outubro, no Teatro Maria Matos
4ª a sáb. às 21H30 dom. às 17H00
M/12


tradução Sophia de Mello Breyner Andresen
adaptação e dramaturgia João Maria André
encenação João Mota cenografia José Manuel Castanheira
figurinos Carlos Paulo música José Pedro Caiado
interpretação Albano Jerónimo, Alexandre Lopes, Ana Lúcia Palminha, Carlos Paulo, Diogo Infante, Frédéric Pires, Gonçalo Ruivo, Hugo Franco, João Ricardo, João Tempera, José Pedro Caiado, Jorge Andrade, Miguel Sermão, Natália Luíza e Raúl Oliveira
execução musical Hugo Franco e José Pedro Caiado
desenho de luz João Mota e Zé Rui
co-produção Comuna Teatro de Pesquisa e Teatro Maria Matos


Espectáculo comemorativo dos 50 anos de Carreira de João Mota e dos 35 anos da Comuna.

31.8.07

O DOIDO e a MORTE



De Cabo verde, o grupo de Teatro do Centro Cultural Português, chega-nos a peça “O Doido e a morte”, baseada no conto de Raul Brandão.







Considerada uma das melhores obras da dramaturgia portuguesa, poderemos falar de expressionismo, já que nos retrata um homem contra as crueldades do mundo em que vivemos.








A peça alerta-nos ainda para o perigo daqueles que dominam o Mundo em que vivemos tendo a mania que são deuses e podem manipulá-lo a seu belo prazer.








Se ainda não viu o festival ainda está a tempo.








Espectáculos a não perder, consulte o programa.



27.8.07

MONSTROS ÀS ESCURAS


Começou mais uma edição, a sexta, do tão esperado Festival Internacional de Máscaras e Comediantes, organizado anualmente pela Filipe Crawford Produções Teatrais, desta feita em parceria com a EGEAC.

O Festival decorre no Castelo de S. Jorge e no Museu da Marioneta (Convento das Bernardas), entre tardes com História e noites mais ou menos veraneantes.



A abertura deste ano fez-se com a peça “Monstros às Escuras”, baseada nos textos de Roland Dubillard.



Trata-se de um espectáculo constituído por uma sequência de diálogos absurdos e de um humor sui generis, em linguagem coloquial e de acordo com as regras, sempre evolutivas da comédia dell’arte.


Os actores, Filipe Crawford e Rui Paulo, desempenham de forma exemplar os seus papéis, dialogam e trocam piadas entre si,~

numa cumplicidade eminente com o público. Retratam-se caricatamente figuras e figurinhas por demais conhecidas da área do espectáculo e ilustram-se simbolicamente momentos do quotidiano de modo muito original.

Guilherme Noronha, o terceiro personagem, melhor dizendo: “aquele de quem se fala” é uma figura sombra no desenrolar de todo o espectáculo, até que no fim, num apontamento inesperado, aparece para revelar que ele é o “tal” personagem, aquele de quem os amigos passaram o espectáculo a falar.

Um espectáculo divertido, leve, que nos proporcionou uma muito agradável noite de Sexta-feira.






Uma última palavra para sublinhar o desempenho do pessoal técnico, elogio este extensível também à sonoplastia e ao trabalho dos vídeoastas.

Consultem o programa do Festival e escolham de entre as variadas peças aquelas que mais vos chamarem a atenção, e cuja vossa agenda permitir, a variedade é grande e a qualidade garantida, de modo que não se apresentam motivos que levem a não participar neste festa única no panorama teatral português!

13.8.07

VI FESTIVAL

Internacional de Máscaras e Comediantes





9.8.07

BANA

Mais uma noite bem passada, no TEATRO IBÈRICO desta feita para assistir ao concerto de uma lenda da música Cabo Verdeana, o Grande Bana.




No começo do espectáculo tivemos a actuação de um intérprete de mornas – Daniel Moreira – que nos trouxe todos os sabores e aromas daquelas ilhas tão características pela sua cultura tão própria e com as influências mais diversas.





Seguidamente, na nossa opinião, um dos momentos mais altos da noite, ouvimos prazenteiramente a actuação de duas grandes fadistas, duas vozes bem distintas, duas almas da canção nacional, a raça e o encontro de gerações:




Srª Dª Rosete Silva e






Cláudia Afonso,






Por onde terão andado durante tanto tempo estas duas senhoras? A maturidade, a emoção na voz, o sentir da musicalidade tão própria do fado que nos toca a alma dizem aquilo que se sente e se perpassa nestes retratos.







Uma palavra para referir em jeito de elogio os talentosos músicos que as acompanharam: um quinteto de cordas, a saber, da esquerda para a direita, na guitarras portuguesas Carlos Gonçalves e Luís Ribeiro, nas violas Albertino Monteiro e Soares da Costa e, por fim, Jaime Martins no baixo acústico.





Já no fim da noite, a terminar este belo serão, aquele por que todos esperávamos para fechar com chave de ouro: Bana, para este músico não há palavras que o descrevam: é em si sinónimo de graciosidade, de melodia, de ritmos quentes que nos chegam assim, simples e únicos, de outras latitudes e que, como desde sempre, se encontram nesta Lisboa de todas as sensibilidades artísticas.